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Travou na
balança?

A reação automática de quem trava na balança é comer menos. Na maioria dos casos, essa é exatamente a decisão errada.

Quatro semanas indo muito bem. Na quinta, a balança para. Na sexta, sobe duzentos gramas. Você olha aquilo e conclui que precisa comer menos ainda. Corta o lanche da tarde, tira o arroz do jantar, e duas semanas depois está com fome, sem energia no treino e no mesmo peso.

Eu vejo isso o tempo todo. Antes de mexer na caloria, passe por essa lista.

1. Você realmente travou?

Peso corporal oscila de um a dois quilos ao longo da semana por retenção de água, sal, volume de treino, ciclo menstrual e funcionamento intestinal. Uma pesagem isolada não diz nada.

O número que importa é a média semanal comparada com a média da semana anterior. Pese todo dia, no mesmo horário, em jejum, e compare médias. Muita gente que jura estar travada está perdendo trezentos gramas por semana e não enxerga porque olha o dia errado.

2. Como está o teu sono

Dormir mal aumenta a fome no dia seguinte, reduz a disposição para se movimentar e piora a recuperação do treino. Se você trocou duas horas de sono por duas horas de tela, encontrou o teu platô. Sono não é detalhe de bem estar, é variável de composição corporal.

3. Quantos passos você dá por dia

Esse é o vazamento mais silencioso de todos. Quando a dieta aperta, o corpo economiza energia sem te avisar: você anda menos, sobe menos escada, fica mais tempo sentado, mexe menos as pernas. O treino continua igual, mas o gasto do resto do dia cai bastante.

Olhe o teu contador de passos dos últimos trinta dias. Se você fazia nove mil e hoje faz cinco mil, aí está a caloria que sumiu, e ela volta andando, não cortando comida.

Antes de tirar comida, devolva movimento. É muito mais fácil gastar duzentas calorias andando do que aguentar duzentas calorias a menos no prato por três meses.

4. A tua proteína caiu

Quando a dieta aperta, a proteína costuma ser a primeira a ser sacrificada, porque é a mais cara e a que dá mais trabalho para preparar. Só que proteína baixa significa mais fome, pior recuperação e perda de massa muscular. Ou seja, o pior dos mundos dentro do déficit.

5. Você parou de registrar

Nas primeiras semanas todo mundo mede tudo. Do mês dois em diante, as porções vão crescendo sozinhas, o azeite deixa de ser contado, o pedaço de bolo do escritório vira invisível. Não é desonestidade, é o efeito natural de parar de medir. Volte a registrar por sete dias e olhe o número sem se julgar.

6. Faz quanto tempo que você está em déficit

Ninguém fica em déficit calórico indefinidamente. Depois de oito a doze semanas cortando, o corpo adapta o gasto, o apetite sobe e a cabeça cansa. Nesse ponto, a melhor decisão muitas vezes é uma pausa planejada: de uma a duas semanas comendo na manutenção, com o treino mantido.

Parece contraintuitivo comer mais para emagrecer, e não é mágica. É recuperar hormônio, energia de treino e cabeça para conseguir fazer o próximo bloco de déficit direito. Quem nunca pausa acaba pausando sem planejar, e a pausa não planejada tem outro nome.

A ordem correta das decisões

  1. Conferir média semanal em vez de pesagem isolada.
  2. Corrigir sono.
  3. Devolver passos e movimento diário.
  4. Recolocar proteína no lugar.
  5. Voltar a registrar por sete dias.
  6. Avaliar pausa de manutenção.
  7. Só então mexer na caloria, e com ajuste pequeno.

Regra que eu repito para todo aluno: cortar caloria é a última ferramenta da caixa, não a primeira. Quem usa ela primeiro fica sem ferramenta justamente quando mais precisa.

Se você está travado há mais de três semanas e já checou essa lista, provavelmente o problema não está na informação, está na leitura do teu caso. E leitura de caso é exatamente o que eu faço na mentoria, com número na mão e call a cada trinta dias. Veja como funciona.

Eduardo Donin

Eduardo Donin

Treinador CrossFit Level 1 e CrossFit Gymnastics Level 1, formação em periodização e especialização em grupos especiais. Atende alunos de todo o Brasil pela Mentoria Premium.

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